Inglesa e gaúcha se unem para promover pesquisas sobre lesão medular

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Sabrina (esquerda) e Lolly se conheceram pela internet. Junto a outras nove garotas, promovem pesquisas na área de lesão medular Lorraine Mack vive em Londres, no Reino Unido. Sabrina Ferri é brasileira e mora em Porto Alegre. Junto a outras sete meninas de diferentes países, elas buscam captar recursos para financiar pesquisas sobre a cura da lesão medular. Em comum, além do fato de todas viverem em cadeira de rodas, a vontade de encontrar uma solução para o problema que atinge mais do que 130 mil novos indivíduos a cada ano no mundo.

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Sabrina Ferri

Em uma noite de comemoração com os amigos, um acidente em uma boate em Londres deixou Lolly paralisada. Sabrina estava em um balanço que simula o surf a cinco metros do chão, na Praia do Rosa (SC), quando caiu e teve uma lesão semelhante à de Lolly. Na quinta-feira, as duas estarão juntas na Capital em uma festa beneficente que pretende reunir recursos para o Spinal Research, plataforma de financiamento coletivo inglesa que arrecada fundos para tratamentos em lesões medulares. Até agora, pouco mais de 500 libras foram arrecadados, o equivalente a cerca de R$ 2,2 mil. A pretensão é chegar a R$ 5,8 mil (1,5 mil libras). É uma pequena ajuda, mas que representa muito para quem busca tratamento para a lesão medular.

São segundos que mudam a vida de uma pessoa para sempre. A causa é tão delicada que precisamos unir forças do mundo inteiro. Temos esperança de que esses tratamentos clínicos futuramente possam restaurar nossos movimentos. Não sei para me ajudar, mas poderá ajudar outras pessoas — explica.

Há cerca de 10 anos, um homem bêbado e drogado caiu da varanda de uma casa noturna em cima de Lolly. Quando foi levantar, a inglesa percebeu que estava completamente paralisada. A lesão medular de nível C4/C5 foi responsável pela perda dos

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Lorraine Caroline

movimentos. Na época, era modelo de rosto para a marca Chanel, fazia trabalhos para a televisão e sonhava em ser apresentadora. Agora, a esse sonho, somou-se o de voltar a andar:

— Ser parte desse grupo de meninas pela cura é incrível para mim, todas nós temos a mesma paixão: “encontrar a cura!”.

Encontros virtuais facilitaram promoção da causa Em reuniões por Skype e Facebook, elas discutem como captar recursos, promover eventos e despertar a consciência das pessoas. Animada com a recepção preparada por Sabrina, Lolly está confiante: junto com as “cure girls”. acredita que irá tornar a lesão medular um problema curável.

Empresária do ramo de alimentos integrais, Sabrina não deixou de trabalhar por causa da lesão. Depois que o acidente ocorreu, há seis anos, adaptou o estilo de vida e se cercou de ferramentas e profissionais para auxiliar nas atividades que ficaram restritas. Na época com 28 anos, era uma pessoa bastante ativa. Ao perder os movimentos dos membros superiores e inferiores, faz de tudo para não abandonar essa característica:

— Não fico parada. É da minha personalidade tocar a vida. Mas as pessoas que não trabalham tem uma série de limitações. Apesar de eu passar um lado de força, tem a questão de encontrar uma solução urgente. As pesquisas aqui andam bem devagar.

No Brasil, as principais instituições que realizam pesquisa estão atreladas a universidades e institutos de pesquisas federais, que não podem receber doações de entidades privadas. Participar do blog e da campanha de financiamento internacional foi uma forma de compartilhar informações e colocar o assunto em foco.

Teste em humanos pode estar próximo. Não é preciso ir longe para encontrar boas pesquisas na área de células-tronco.

Geneticista da UFRGS e representante da América Latina no grupo que está definindo as regras internacionais sobre uso de células-tronco em pacientes, Patrícia Pranke diz que estamos próximos do momento em que estudos para lesão medular deixarão de ser testadas em camundongos e serão aplicadas em gente:

— Esse é o nosso próximo passo. Em um ou dois anos devemos pedir ao Comitê de Ética do Ministério de Saúde, em Brasília, para aplicar em humanos. Já temos na UFRGS um laboratório construído com certificação para isso.

Patrícia acabou de visitar a ex-ginasta Lais Souza na universidade de Miami (para onde vai Lolly assim que deixar Porto Alegre) e de estabelecer uma parceria com o projeto para curar a doença. Segundo ela, tanto no Brasil quanto nos demais países do mundo, as pesquisas em camundongos estão dando bons resultados.

Associada à nanotecnologia, a pesquisa em células-tronco ajudariam a resolver o problema dos pacientes crônicos (que estão em cadeira de rodas há mais tempo, quando é mais difícil a cura porque a cicatriz se formou ((onde?))).

— A nanotecnologia seria uma ponte para o cultivo das células-tronco (podem ser cultivadas em laboratório ou ser do próprio paciente). É como se elas ligassem a parte do corpo que está lesada com a parte sadia.

Especializada em reabilitação neurofuncional, a fisioterapeuta de Sabrina, Melissa Grigol Goldhardt, diz que entidades como a que será ajudada por Lolly e por sua paciente podem até não trazer a cura para a a lesão medular, mas ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

— Tem outras funções fisiológicas que são prejudicadas pela lesão. Essas pesquisas podem não fazer a pessoa andar, mas auxiliam em outras funções. Algumas ajudam a melhorar a sensibilidade da bexiga, intestino ou na sexualidade, por exemplo – explica Melissa.

COMO AJUDAR

A festa será hoje (quinta-feira, 23/10) , às 21h. O local escolhido (Allure Club, na Av. Plinio Brasil Milano, 137) tem rampas e banheiros adaptados para cadeirantes. Os ingressos estão à venda por R$ 30 na Confeitaria Itália (Avenida Otto Niemeyer, 255) e Dado Pub (Rua Fernando Gomes, 80). Para contribuir por meio da plataforma, o endereço é justgiving.com/LollyandSabrina. Não há valor mínimo para doação.

Fonte: http://linkis.com/casadaptada.com.br

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