Espetáculo baseado em filme norueguês sobre pessoa com deficiência estreia em S. Paulo

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Espetáculo A Arte de Pensar Negativamente, baseado em premiado filme norueguês de mesmo nome, estreou em São Paulo, no Espaço Parlapatões, dia 20 de junho. Com adaptação de texto do longa-metragem dirigido por Bård Breien, em 2006, peça é  encenada pela Cia Teatro Sem Censura, sob direção de Fabricio Castro. O enredo trata de um homem que passou recentemente pelo trauma de ficar paraplégico e se tornou uma pessoa amargurada agindo contra todas as regras do pensamento positivo.

A Arte de Pensar Negativamente já ganhou versões para o teatro em países como Alemanha e  República Tcheca e agora chega ao Brasil.
Embora os personagens centrais sejam cadeirantes, o tema da peça é o confronto entre  pensamento positivo e pensamento negativo, lançando assim uma reflexão sobre como cada um enfrenta os próprios problemas.

“Em uma vida perfeita e bem-sucedida ninguém carrega tristezas passíveis de serem expostas. Não temos por hábito tratar a causa de nossos sofrimentos e dedicar tempo e paciência para entendê-los. Normalmente as pessoas buscam soluções fáceis para problemas complexos, principalmente quando buscam leituras de autoajuda: ‘Saiba como ser feliz em 05 passos’, por exemplo”, observa o diretor.

Na montagem, fica evidente o quanto as pessoas tentam o máximo esconder qualquer sentimento desagradável. “Evitamos sofrer. Muitas vezes, o caminho é dar tempo ao tempo e não mascarar a dor. A raiva e a amargura podem ser libertadoras, por que não? Além do mais, uma pessoa bem-humorada o tempo todo e em busca de bons fluídos pode ser no fundo mais amargurada e infeliz consigo do que aquela que reage naturalmente diante de uma adversidade. Somos seres humanos e não estamos preparados para tudo que nos acontece!”, declara Castro.

Sinopse

A adaptação à vida com cadeira de rodas não tem sido fácil para Rui, um homem que ficou paraplégico recentemente e, a partir do acidente que levou ao trauma, tornou-se uma pessoa amargurada. Com gostos muito peculiares: filmes de guerra, automedicação e músicas de Johnny Cash, ele usa de todo seu negativismo para lidar com esta nova realidade, motivo pelo qual sua esposa, Ingrid, convida um grupo de apoio, liderado pela terapeuta Lori e outras quatro pessoas – que preferem omitir seus problemas, mágoas e tristezas através de uma enganosa aparência de felicidade – para ir à sua casa pregar regras do pensamento positivo, nas quais se amparam fielmente.

Com este enredo e um pouco de sarcasmo, a peça leva a uma reflexão sobre como cada um enfrenta os próprios problemas, confrontando as regras do pensamento positivo e da boa disposição de maneira lúcida e realista, apostando sempre na profundidade absoluta. A peça nos revela que mesmo aquelas pessoas sempre otimistas também perdem a linha em situações extremas. Pensar negativamente pode trazer muito mais tranquilidade do que simplesmente esconder ou maquiar os problemas e frustrações, como fazem alguns personagens que se mostram extremamente felizes.

A história pode ser compreendida por qualquer indivíduo que considera estar em uma situação irreversível que o leva a acreditar ter chegado ao “fundo do poço”. Este encontro, entre Rui e o grupo de Lori, traz um alerta para o fato de que a conquista de uma vida plena e feliz não está, necessariamente, atrelada às regras do pensamento positivo. Antes de tudo, é preciso aceitar as próprias condições e aprender a lidar com a dor ao invés de escondê-las e dramatizá-las atrás de um sorriso falso.

Ficha Técnica

Texto: Bard Breien
Direção: Fabricio Castro
Dramaturgia e Tradução: Deborah Graça, Emerson Anunciação, Fabricio Castro e Irene Sauer
Elenco: Antonio Revuelta, Bruna Moraes, Daniella Pinfildi, Deborah Graça, Kris Bulos, Luiz Luccas, Marcelo Zorzeto

Produção: Kátia Gomes, Deborah Graça e Fabricio Castro
Assistente de Produção: Marina Calvão
Preparação de Atores: Alex Cabrera
Preparação Vocal: Deborah Graça
Consultoria: Eduardo Ramos
Cenografia e Figurinos: Kátia Gomes
Equipe Cenotécnica: Mais Produções
Maquiagem: Lilian Ayres
Iluminação: Thiago Capella Zanota
Trilha Sonora Original: Daniel Tauszig
Operador de Som: Fabricio Castro
Vídeos: Marina Calvão e Roberto Reiniger
Fotos: Andre Stefano

Serviço
Temporada: 20 de junho a 08 de agosto de 2015 – sábados às 20h
Local: Espaço Parlapatões
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo – SPTelefone: (11) 3258 4449
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Classificação: 16 anos
Gênero: Duração: 70 minutos

Acessibilidade:

Segundo o guia Acessibilidadecultural.com.br, o Espaço Parlapatões possui:

  • Edificação térrea com entrada acessível. O balcão de informações tem altura adequada, o local conta com 1 banheiro acessível e 2 lugares reservados para cadeira de rodas no auditório, com acompanhante ao lado. O cadeirante tem autonomia de circulação.
  • Possui profissional guia-vidente. A autonomia de circulação da pessoa cega é parcial.

A peça não informa se possui intérprete de Libras.

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