Inclusão fashion

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 Campinas realizou recentemente desfile focado para esse público
Etiquetas em braille, peças com velcro no lugar de botões e blusas com aberturas nas laterais. Esses são alguns dos detalhes funcionais aplicados às roupas feitas para atender às necessidades de um público que vem conquistando espaço e a atenção para um novo modelo de negócio: a moda inclusiva.
Em um país em que 46 milhões de pessoas possuem algum tipo de necessidade especial (sendo 15% consideradas graves e 9% de mobilidade reduzida), segundo os últimos dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse nicho tem grande potencial para crescer. “Se alguém investe nesse mercado, consegue gerar um diferencial e até uma vantagem competitiva para a marca. Trata-se de uma oportunidade para micro e pequenas empresas e até para algumas de médio porte. É necessário ter flexibilidade para atender às especificidades desse nicho”, diz a diretora de pesquisa da Tendere – Tendências e Soluções em Negócios da Moda, Patrícia Sant’Anna. A executiva conta que já existem no Brasil marcas específicas para atender a esse público, como a loja virtual Lado B Moda Inclusiva, e empresas que fazem manequins que expressam as restrições desse mercado, como a Expor Manequins.
Foto: João Ricca/Especial para a Metrópole
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Deficientes visuais mostram na passarela modelos especialmente criados para atendê-los

Deficientes visuais mostram na passarela modelos especialmente criados para atendê-los
Além de lucrar, empresários podem melhorar a qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais, aumentando sua independência e autoestima. “O conceito de moda inclusiva cria formas de facilitar o ato de se vestir e tenta amenizar os possíveis obstáculos dessas pessoas, auxiliando também os cuidadores”, diz a diretora do projeto Moda Inclusiva, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Gabriela Sanches.
Foto: João Ricca/Especial para a Metrópole
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Os participantes do evento em Campinas: inovação

Os participantes do evento em Campinas: inovação
Apesar de serem chamadas de inclusivas, muitas dessas roupas são mais caras do que as que não atendem a esse nicho. “As peças para moda inclusiva, em muitos casos, são confeccionadas sob medida, às vezes exclusivamente para uma pessoa. Dessa forma, o investimento em matéria-prima pode encarecer o produto final. O mesmo acontece em relação ao número de profissionais envolvidos na produção, que precisam desenvolver técnicas para modelagem e confecção de forma que se tornem mais adequados à pessoa com necessidade especial. De modo geral, é preciso um investimento maior de tempo, profissionais e matéria-prima se comparado a uma marca tradicional”, explica Sant’Anna.
Foto: João Ricca/Especial para a Metrópole
Cadeirantes  usaram roupas com velcros para terem autonomia ao se vestir

Cadeirantes usaram roupas com velcros para terem autonomia ao se vestir

Cadeirantes usaram roupas com velcros para terem autonomia ao se vestir
Desde 2009, o tema tem ganhado destaque no Brasil por conta do primeiro Concurso de Moda Inclusiva, lançado pelo governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Nele, estudantes de moda são convidados a apresentar novas propostas adaptadas às necessidades desse público. A exemplo do sucesso do evento estadual, este ano a Secretaria Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida de Campinas criou o I Concurso e Desfile de Moda Inclusiva, que mobilizou toda a região metropolitana. A ação foi realizada em setembro, no Hotel Vitória Concept. Oito pessoas com necessidades especiais levaram seu talento à passarela e apresentaram as coleções criadas exclusivamente para elas por sete estilistas.
O principal objetivo do concurso foi desafiar os estudantes de moda a buscarem ideias inovadoras que facilitassem o dia a dia da pessoa com deficiência, criando soluções que, além de práticas, fossem bonitas. “Dessa forma, foi possível permitir que a pessoa com deficiência fosse a protagonista da passarela e encontrasse alternativas bacanas para se vestir. É interessante ressaltar que o concurso foi voltado aos estudantes, que vão para o mercado de trabalho já com um olhar diferenciado para a moda inclusiva depois de participarem de um evento como esse”, diz a secretária de Direito das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida de Campinas, Emmanuelle Alkmin.
A modelo vencedora do melhor look, a campineira Jackeline de Jesus Oliveira, de 21 anos, que tem deficiência física por lesão medular completa há quatro anos, ficou surpresa com o prêmio e ressaltou a importância do evento. “Somos deficientes, mas temos capacidade para sermos reconhecidos. Conquistar o primeiro lugar me deixou sem palavras”, afirmou

Foto: João Ricca/Especial para a Metrópole
A modelo vencedora do melhor look, Jackeline de Jesus Oliveira, ao lado da estilista Révila Possidonio

A modelo vencedora do melhor look, Jackeline de Jesus Oliveira, ao lado da estilista Révila Possidonio

A modelo vencedora do melhor look, Jackeline de Jesus Oliveira, ao lado da estilista Révila Possidonio

Jackeline, que desfilou com um modelo assinado pela estilista campineira Révila Possidonio, de 20 anos. “Criei um poncho, que é um modelo de blusa solto no corpo, com uma modelagem quadrada, não possuindo muita costura e, por isso, é bem prático de vestir. Na parte de baixo, pensei em uma calça de malha com bastante elasticidade para uma melhor movimentação, contendo um elástico na cintura e velcros nas duas laterais da coxa. A cadeirante consegue abrir e tirar a calça sem se levantar da cadeira ou precisar da ajuda de outra pessoa, conquistando total independência”, detalha a estilista, que completou a produção com um belo acessório.

“Fiz uma luva que, além de um acessório de luxo, é muito funcional por conta da pessoa estar o tempo todo com a mão exposta sobre a roda. Ela tem o objetivo de proteção, e contém um antiderrapante na palma para dar firmeza ao andar com a cadeira de rodas. São peças confortáveis e super elegantes para aumentar ou gerar uma autoestima na pessoa com deficiência”, finaliza Rèvila.
Como é lá fora
De acordo com Juliana Lopes, jornalista que lecionou moda contemporânea no Instituto Europeo di Design (IED), em Milão, e edita as cartilhas do projeto Moda Inclusiva de São Paulo, a moda inclusiva ainda não existe como um forte mercado lá fora. “Pouco se fala a respeito, mas o desfile de moda inclusiva que fizemos em Milão ganhou bastante atenção da mídia. Foi publicada uma matéria na Vogue Itália, exatamente pelo fato de ser vanguarda, ou seja, o mercado de moda inclusiva ainda não existe de forma consolidada, ainda são propostas isoladas. O Brasil tem muita chance de ser líder pela força que a discussão está ganhando aqui”, comenta a jornalista.
Lição de vida
A modelo Paola Antonini, de 20 anos, é um exemplo de superação. Depois de ter perdido a perna ao ser atropelada, em dezembro de 2014, mostrou que está determinada a viver uma vida normal, sem ressentimentos e com muito bom humor.

Foto: João Ricca/Especial para a Metrópole
A modelo Paola Antonini: carreira segue mesmo após ter perdido uma perna em atropelamento

A modelo Paola Antonini: carreira segue mesmo após ter perdido uma perna em atropelamento

A modelo Paola Antonini: carreira segue mesmo após ter perdido uma perna em atropelamento
Em agosto, ela voltou às passarelas em grande estilo com o auxílio de uma prótese. Paola desfilou Alex Moreira no VIII Proação Fashion Day, realizado no Minascentro, em Belo Horizonte.
O evento beneficente, que levou ao palco 17 grifes ao som de Simoninha, Luiza Possi e Toni Garrido, lotou a casa de espetáculos e o público aplaudiu, em pé, a entrada triunfal da modelo, que já contou sua história em revistas voltadas ao público feminino, com fotos lindas, dignas de uma top model.
FONTE CORREIO POPULAR

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