PARALIMPIADAS: BRASIL GARANTE A PRIMEIRA MEDALHA COM PRATA NO ATLETISMO

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E saiu do atletismo a primeira medalha do Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Competindo os 5000m na classe T11 (para deficientes visuais), Odair Santos ficou com a prata ao concluir o percurso em 15min17s55. O queniano Samwel Mushai Kimani fez o melhor tempo de sua carreira para levar o ouro, com 15min16s11. Seu compatriota Wilson Bii completou o pódio, aparecendo em terceiro lugar com 15min22s96. Bii herdou a colocação de outro queniano, Erick Kiptoo Sang, que foi desclassificado por não ter cruzado a linha de chegada na frente de seu atleta-guia.

“Santos esteve bem perto de subir ao lugar mais alto do pódio: depois de passar metade da prova no pelotão intermediário, oscilando entre o quarto e o quinto lugar, o brasileiro tomou a liderança a uma volta para o fim, ditando o ritmo da prova até a curva que antecede a reta de chegada. Foi aí que Kimani imprimiu um sprint e deixou o bicampeão mundial da prova, em 2011 e 2013, para trás.”

Com dois guias – Eriton Nascimento e Carlos Santos – se revezando para acompanhar suas passadas, Santos esperou os adversários revelarem a estratégia de prova para definir a sua própria. “Com três quenianos na prova, a gente sabia que teria uma pedra no sapato pela frente, já que eles são muito fortes em provas de fundo, como os 5000m, 1000m e maratona”, conta. “Adotei a estratégia de dosar um pouco mais no início da prova para tentar fechar mais forte. Infelizmente, acabou não dando certo. O primeiro colocado é corredor de 1500m e um pouco mais veloz do que eu. Ele acabou me surpreendendo ali no fim. Fico frustrado pelo fato de não ter ganho, mas estou feliz de ter conquistado a primeira medalha para o meu país”.

O tempo que lhe rendeu a medalha de prata não é o melhor resultado pessoal do corredor de 35 anos. Na temporada, Santos cravou 15min16s82, poucos centésimos acima da marca de Kimani. “Eu tenho tempo na casa de 15min11s, mas hoje não consegui repeti-lo”, lamenta. Esta foi a oitava medalha de Odair Santos em Jogos Paralímpicos: agora, o especialista em provas de longa distância possui quatro pratas e quatro bronzes em seu currículo, em provas como 800m, 1500m, 5000m e 10000m.

O brasileiro traz duas medalhas nesta mesma prova em seu currículo – uma prata em Atenas 2004 e um bronze em Pequim 2008 –, mas em uma classe diferente: a T12, para atletas de baixa visão. Com o agravamento de sua deficiência visual, consequência de uma retinose pigmentar, doença degenerativa que o afeta desde os nove anos, o atleta foi reclassificado e passou a competir entre os competidores que correm ao lado de um atleta-guia, usando um cordão de ligação.

O caminho de Odair Santos até a medalha de prata teve alguns tropeços. O primeiro deles foi há quatro anos, nos Jogos Paralímpicos de Londres. O meio-fundista acusou uma lesão durante a prova dos 1500m, em que chegou em segundo lugar, e não teve condições de competir nos 5000m. “Eu estava muito bem e na época, fiquei extremamente chateado, porque sentia que tinha condições de bater o recorde mundial”, lembra.

No ano passado, no Mundial de Atletismo de Doha, no Catar, o brasileiro liderou a prova com folga, mas perdeu o tricampeonato mundial para o calor: a poucos metros da linha de chegada, Santos desmaiou e precisou ser levado às pressas para o hospital, com sintomas de hipertermia. “Hoje foi a minha redenção. Entrei bastante focado e acabei conquistando a medalha”.

Santos segue perseguindo seu primeiro ouro paralímpico: o brasileiro ainda compete na prova de 1500m, com classificatórias maracadas para o domingo (11) e final para a próxima terça-feira (13). Ele é o atual campeão mundial da prova e ficou com a prata em Londres 2012, já na categoria para atletas totalmente cegos.

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